Pela verdade que afirmo,
dos que a verdade demandam
até à contradição,
juro nunca me render.
Pela exaltação que estua
nos protestos que não escondo
e a justiça que os provoca,
juro nunca me render.
Pelas lágrimas dos pobres
e o pão escasso que comem
e o vinho rude que bebem,
juro nunca me render.
Pelas prisões em que estive
e os gritos que lá esmaguei
contra as mãos enclavinhadas,
juro nunca me render.
Pelos meus pais e meus avós
e os avós dos avós deles,
com o seu suor antigo,
juro nunca me render.
Pelas balas que vararam
tantos peitos de homens justos,
por amarem muito a vida,
juro nunca me render.
Pelas esperanças que tenho,
pelas certezas que traço,
pelos caminhos que piso,
juro nunca me render.
Pelos amigos queridos
e os companheiros de ideias,
que são amigos também,
juro nunca me render.
Pela mulher a quem amo,
pelo amor que me tem,
pela filha que é dos dois,
juro nunca me render.
E até pelos inimigos,
que odeiam a liberdade,
e por isso não são livres,
juro nunca me render.
PERMITE-ME, ARMINDO RODRIGUES, QUE FAÇA MINHAS AS TUAS PALAVRAS, HOJE, QUE VAMOS DECIDIR O FUTURO.
mário